Sobre O Doutor, a Essência, o Passageiro, e Regeneração…
Acompanho um programa da TV britânica (que é um ícone cultural por lá): Doctor Who…
Esse programa tem, dentre outras coisas, a distinção de (em 1966!) ter a coragem de ousar a substituição do ator principal em um momento de grande audiência e sucesso. A saída do ator era inevitável, por questões de saúde, e os produtores criaram um dispositivo dramático que trouxe novas perspectivas e flexibilidade ao programa: a Regeneração…
Considerando que o Doutor é um alienígena, membro de uma espécie conhecida como Os Senhores do Tempo, definiu-se que eles teriam a habilidade de “enganar a morte”, ativando a habilidade de Regeneração, pela qual recriavam seus corpos, estendendo a vida do personagem, permitindo a troca do ator, e a exploração de outros nuances da personalidade do Doutor. Além disso, adicionava-se um elemento de tensão à trama geral, pois a encarnação vigente do personagem em dado momento, poderia “morrer”…
Em todas as posteriores encarnações do Doutor, permanecia a Essência do personagem, enquanto seu comportamento específico variava… Algo que me recorda uma referência de “O Vampiro Lestat“ de Anne Rice, que dizia algo como: “Conforme o tempo passa, ficamos cada vez mais como nós mesmos”…
Sempre acreditei nisso… Que nossa essência mais profunda não muda com o passar do tempo, apenas é trabalhada, lapidada… O que muda é nosso comportamento externo, nossa visão de mundo, nossa interação com o universo exterior…
Qual o motivo de toda essa divagação sobre personagens de TV e de livros?
Estou em pleno processo de Regeneração, ainda descobrindo, para citar o 10º Doutor, “que tipo de pessoa eu sou”… É um processo complexo, que no meu caso ainda inclui uma acomodação interior do meu Passageiro, a Sombra sussurrante no fundo da minha alma…
Que tipo de pessoa será o (pelos meus cálculos) 5º Lee?
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